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sexta-feira, 20 de março de 2009

O dia em que eu conheci o amor da vida dele - Parte 2

Dessa vez eu a observava de longe. Distante, porém não difícil de perceber como a cor de seus olhos disputavam com o céu que se iluminava aos poucos. Não passava das 6:30 am, mas o céu já havia se transformado em seu azul divino.
Eu observava como ele (aquele que recebia minhas mais impecáveis cartas, ouvia minhas mais dolorosas revelações e fazia* meu coração bater descontroladamente mais rápido) a seguia, até a (surpreendente) maneira como ela o deixava para trás. Mesmo apressando o passo, ele não conseguia alcançá-la. Eles estavam próximos um do outro, mas mantinham uma distância satisfatoriamente razoável - o que me provocava um alívio momentâneo acompanhado de uma série de dúvidas que se multiplicavam incansavelmente na minha cabeça.
Por que eles não se aproximavam ou trocavam algumas palavras, afinal?
Estava perfeitamente nítido como ele tentava alcançá-la sem obter sucesso algum.
Eu subi as escadas do colégio às pressas, prevenindo-me de encontrá-los no caminho. Mas foi em vão: eu os avistei de longe, conversando, apesar de me passar uma leve impressão de ser uma simples conversa estranhamente fugaz. Obviamente, eu não pude deixar de reparar na maneira como ele a olhava.
No recreio, era felizmente perceptível como a aluna nova havia sido bem acolhida - não deixava passar por despercebido (excepcionalmente por mim) também, o fato de ele não estar ao seu redor.
O sinal alertou o fim do intervalo, e a sala de aula gritava meu nome.
Eu a avistei, novamente, em meio àquela "multidão" concentrada no corredor. De repente, eu estava frente à frente com ela. Talvez o fato de que ela estivesse próxima de conhecidas minhas pudesse ter facilitado o nosso primeiro cumprimento a acontecer.
Não me lembro exatamente da onde partiu o "oi", mas eu me recordo perfeitamente da pergunta que ela havia feito: "Tudo bem?", que representou pra mim muito mais que uma singela (e educada) pergunta.
Eu lhe respondi com um sorriso (que talvez tenha sido tímido mas absolutamente sincero), e dessa vez, ela me devolveu outro em troca. Imediatamente, me veio a sensação de dever cumprido.
Eu havia acabado de conhecer o amor da vida dele além dos olhos azuis. E mais: descobri que sim, ela sabe sorrir.
Hoje, eu e a Flávia somos grandes amigas. E somos a grande prova de que uma amizade pode nascer de diversas formas e em diferentes lugares: até mesmo onde poderia ter nascido o ódio.

- Uma homenagem à Flávia Ferrari.
- Para melhor entendimento, leia O dia em que eu conheci o amor da vida dele - Parte 1
- Sim, eu sou a do olho verde, e ela a do olho azul.

* Verbo conjugado no passado indica uma ação que não acontece mais no presente.

Posted by Picasa